domingo, 27 de setembro de 2009

UM ANO!

Parece que foi ontem que estávamos ali, sentados naquela mesa do bar Antigamente, traçando metas e criando planos...
Acreditamos. Acreditamos pra valer. Nos demos as mãos e decidimos caminhar juntos.

Muitos filmes e documentários depois, leituras de textos, peças, discussões, saraus, músicas, poemas, construções, busca por salas de ensaio, ocupações de espaços públicos para ensaiar, experimentações, longos e-mails, longas conversas, ensaios em tão-tão distante, risadas, abraços apertados, sorrisos, descobertas, mãos dadas... percebemos o quanto ainda temos a fazer juntos, o quanto queremos fazer juntos, o quanto somos necessários um ao outro, o quanto essa engrenagem necessita de cada uma das suas peças para funcionar!

Foi um ano de conhecimento, de experimentações, de descobertas, mas, acima de tudo, de parceria. De olhar o outro e através do outro para, juntos, seguirmos em frente e construírmos (no plural). Um ano de transformações. De saber, principalmente, o quanto a arte nos é necessária e do quanto queremos dizer com ela. Do quanto podemos e devemos transformar.

Acima de tudo, queremos.

Salve, Engrenagem e todas as suas peças.

E todos aqueles que, direta ou indiretamente nos apóiam, ouvem, acompanham, seguem, acreditam.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

PROTESTO E APOIO

Nós da Cia Engrenagem de Arte Revolucionária apoiamos o protesto da Escola Livre de Teatro de Santo André (ELT), visando manter a preservação do seu projeto pedagógico original, que será foco do ato público em que os artistas entregarão uma carta ao Secretário de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo, sr. Edson Salvo Melo. Nesta carta, também irão solicitar que se reveja a demissão de Edgar Castro - escolhido democraticamente pela comunidade escolar e com ampla aderênciade todos - e que se possa dialogar sobre a presença da Sra. Eliana Gonçalves.

A concentração para o ato será às 14h em frente à ELT: Praça Rui Barbosa s/ nº, bairro Santa Terezinha, Santo André. Segue em passeata até o Paço Municipal de Santo André.

A Escola Livre de Teatro de Santo André (ELT), projeto artístico-pedagógico que se firmou como referência para a formação de atores no Brasil e que se aproxima agora dos seus 20 anos de enraizamento na cidade, acaba de ter seu coordenador, o ator Edgar Castro, sumariamente demitido.

Nesta sexta-feira, onze de setembro, artistas representantes dos principaiscoletivos de artes cênicas das cidades de Santo André e São Paulo - entre os confirmados as atrizes Maria Alice Vergueiro e Leona Cavalli, o ator Antônio Petrim, os diretores Francisco Medeiros e Cibele Forjaz - farão um ato público em prol da manutenção do projeto artístico-pedagógico original, que se encontra ameaçado.
Internacionalmente conhecida por seu projeto inovador desde sua fundação, em 1990, a ELT foi idealizada pela artista-pedagoga Maria Thaís Lima Santos,(hoje professora doutora da USP e coordenadora do TUSP), e coerentemente transformada pela experiência e pelos diversos mestres que passaram por ela tais como: Luis Alberto de Abreu Antonio Araújo, Tiche Vianna, Francisco Medeiros, Cacá Carvalho, Renata Zhaneta, Cibele Forjaz, Cláudia Schapira, Denise Weinberg, Sergio de Carvalho.

Da palavra "Livre" - presente no nome da Escola - emerge um campo pedagógico próprio, que pressupõe o conceito de deliberação coletiva, derivado do contínuo diálogo entre mestres, aprendizes e funcionários (constituintes legítimos da comunidade ELT), num processo de não-hierarquização, radicalmente contrário a imposições.

Desde o final do ano passado, após a eleição do atual prefeito Dr. Aidan Ravin, a comunidade da Escola Livre de Teatro tem se reunido para conhecer o projeto cultural para a cidade de Santo André. Em 28 de novembro, organizou um ato público, o Encontro Cultural da Cidade, quando se esperava como convidado principal Dr. Aidan Ravin. O então futuro prefeito não compareceu, mas fez-se presente através de seus assessores e do vereador recém eleito Gilberto do Primavera, que firmou publicamente seu compromisso com a cultura da cidade e com a manutenção do projeto original da ELT.

No entanto, como primeira medida, designaram para escola uma nova coordenadora não pertencente ao quadro de mestres e desconhecedora do projeto em curso. Em assembléia geral da escola, em 3 de fevereiro de 2009, com a presença de toda comunidade ELT e da coordenadora, o atual Secretário de Cultura, sr. Edson Salvo Melo, não só reiterou a continuidade do projeto artístico-pedagógico como também acenou a reforma física do prédio da ELT, readequando o espaço para as atuais necessidades da escola.

Passados oito meses da nova gestão, de contínuas tentativas de diálogo entre a comunidade, a coordenadora sra. Eliana Gonçalves e os funcionários também recém transferidos para a escola, encontros mediados pelo coordenador Edgar Castro (mestre da escola há 11 anos), foram surpreendidos por esta repentina demissão feita pelo diretor de cultura Sr. Pedro Botaro no dia oito de setembro.

A comunidade da Escola Livre de Teatro, torna público o último fato que ameaça o projeto político pedagógico original da escola reconhecida e respeitada nacional e internacionamente, podendo inclusive comprometer definitivamente a continuidade da instituição que vem sendo construída ao longo de 19 anos.



terça-feira, 1 de setembro de 2009

COMUNICADO

A tão esperada estreia do dia 05/09 foi adiada por motivos alheios a nossa vontade...

Atenção, foi apenas ADIADA!!!

Continuamos no mesmo embalo preparatório, aguardando ansiosamente a hora de colocarmos nosso grito pra fora.

Quando ela chegar, gritaremos aqui primeiro, avisando a todos a nova data!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

CONTAGEM REGRESSIVA!!!!!!!

Leituras, ensaios, discussões, ensaios, produção, discussões, a busca por salas de ensaio, mais ensaios, ocupações de espaços públicos para ensaiar, a busca por iluminação, mais ensaios, mais discussões, experimentações, longos e-mails, longas conversas, ensaios em tão-tão distante, mais discussões, risadas, abraços apertados, 11 horas seguidas de ensaio, sorrisos, descobertas, mãos dadas, vamos juntos, é isso aí, vamos juntos!

A hora vem chegando. Vem se aproximando em passos largos, em passos apressados. Ora descompassados, ora no compasso do dito tempo que nos enforca, mas que também abraça. Só nos cabe esperar a chegada, a batida de Molière dos três sinais, a entrada em cena. Tudo é feito de espera. Feito um Pedro pedreiro buarqueano, "esperando o sol, esperando o trem, esperando aumento para o mês que vem, esperando um filho pra esperar também, esperando a festa, esperando a sorte, esperando a morte, esperando o norte, esperando o dia de esperar ninguém, esperando enfim nada mais além que a esperança aflita, bendita e infinita do apito do trem."

CON$UMADO estreia dia 05/09/09
às 21:00hs
No Teatro Odisséia
Rua Mém de Sá, nº 66 - Lapa - Rio de Janeiro/RJ

Projeto ODISSÉIA EM CENA



domingo, 5 de julho de 2009

Vem aí... CON$UMADO

"Consumo: Ato ou efeito de consumir, consumação, gasto, dispêndio. Venda de mercadorias. Função da vida econômica que consiste na utilização direta das riquezas produzidas.
Consumado:
Que se consumou, acabado, terminado, realizado, Irremediável: Fato consumado.
Consumido:
Utilizado para satisfação de necessidades ou desejos. Desgastado, corroído, destruído.
Já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias e os bens simbólicos que nos revestem e cercam determinam um valor social. Desprovidos deles, estamos condenados ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão. Quanto vale um paraíso descartável???
A felicidade comprada é efêmera! Até que se compre o próximo lote."

Estamos há um longo tempo sem postar, devido a um convite que recebemos (diga-se de passagem com muita surpresa e de muito bom grado!) para subirmos aos palcos da cidade. A princípio, não era ideia da Engrenagem estreiar, pois ainda estamos em processo de pesquisas, investigações e experimentações de linguagens. Mas já com um trabalho em andamento, surgido principalmente das nossas pesquisas da Ditadura do Consumo, eis que surge nossa primeira temporada, com CON$UMADO.

Como exposto aqui no blog, em nossas pesquisas deparamo-nos com Bertold Brecht, que utilizava a arte (concebida como resultado de um processo de criação coletiva) como uma arma de conscientização e politização. Isso nos fez pensar em nosso papel enquanto artista, nossa capacidade e postura criativa e artística perante as engrenagens do mundo das artes e até que ponto podemos (ou não) nos tornarmos mercadoria dentro do esquema capitalista da sociedade. Parte do resultado dessa pesquisa é o que iremos apresentar.

Trata-se de uma trilogia acerca do Capital, formada por três esquetes:

  • Cidadão Consumo

  • Quinze Minutos

  • Tudo Aquilo Que Eu Esperava
Em Cidadão Consumo, temos o Homem às voltas com seu cartão de crédito, uma espécie de melhor amigo moderno ou semi-deus, criando a falsa ilusão de que tem o poder está em suas mãos. É possível refletir sobre quanto o capital leva aquele personagem ao escapismo, a fuga da realidade, a uma outra percepção dessa: uma realidade distorcida. Ele é vítima da Ditadura do Consumo, mas também uma cria da sociedade Capitalista.

Ambientado num Call Center, Quinze Minutos traz à cena os atrapalhados operadores de telemarketing Anderson e Mônica. Nesse esquete, está de volta o cartão de crédito, mas dessa vez não na mão de um homem, mas figurando como a empresa Mastercruzes, afiliada da Credocard. Vítimas de um sistema opressor de trabalho, onde a exploração do trabalho em prol do lucro do capital é clara, eles só querem pleitear melhores condições de trabalho: alguns minutos a mais em seus míseros quinze minutos de almoço!

O questionamento que envolve o ser humano acerca de sua vida é o foco principal do esquete Tudo aquilo que eu esperava. A ação se passa em um lugar inusitado: o “limbo”. E é neste lugar insólito e desconhecido que dois também desconhecidos se encontram. Nelson, um playboy moderno e milionário, cuja causa mortis foi a descoberta de ter uma vida sem miséria com tantos miseráveis ao seu redor e que o mundo é uma grande bolota de injustiça e hipocrisia. Plínio, por sua vez, é um cara honesto, trabalhador, de vida dura, que está passando por um dos piores dias de sua vida, tanto pessoal quanto profissional, e que acredita que a riqueza material poderia fazê-lo mais feliz. O encontro dos dois se dá quando Nelson pula da janela do oitavo andar de seu prédio e cai justamente em cima de Plínio.

Aguardem as novidades, em BREVE!!!!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

POR UMA ARTE REVOLUCIONÁRIA INDEPENDENTE

Leon Trotski e André Breton, tiveram em 1938, na Cidade do México, um encontro histórico de que resultou, após muitos debates entre eles e outros agentes culturais, este documento, cuja versão final foi elaborada por Breton e Diego Rivera, com a aquiescência de Trotski. Naquele momento nascia a F.I.A.R.I. – Federação Internacional da Arte Revolucionária e Independente – de vida efêmera mas importância histórica crucial.

[Compliação]



A arte verdadeira, a que não se contenta com variações sobre modelos prontos, mas se esforça por dar uma expressão às necessidades interiores do homem e da humanidade de hoje, tem que ser revolucionária, tem que aspirar a uma reconstrução completa e radical da sociedade, mesmo que fosse apenas para libertar a criação intelectual das cadeias que a bloqueiam e permitir a toda a humanidade elevar-se a alturas que só os gênios isolados atingiram no passado. Ao mesmo tempo, reconhecemos que só a revolução social pode abrir a via para uma nova cultura.

A oposição artística é hoje uma das forças que podem com eficácia contribuir para o descrédito e ruína dos regimes que destroem, ao mesmo tempo, o direito da classe explorada de aspirar a um mundo melhor e todo sentimento da grandeza e mesmo da dignidade humana.

A idéia que o jovem Marx tinha do papel do escritor exige, em nossos dias, uma retomada vigorosa. É claro que essa idéia deve abranger também, no plano artístico e científico, as diversas categorias de produtores e pesquisadores. "O escritor, diz ele, deve naturalmente ganhar dinheiro para poder viver e escrever, mas não deve em nenhum caso viver e escrever para ganhar dinheiro... O escritor não considera de forma alguma seus trabalhos como um meio. Eles são objetivos em si, são tão pouco um meio para si mesmo e para os outros que sacrifica, se necessário, sua própria existência à existência de seus trabalhos... A primeira condição da liberdade de imprensa consiste em não ser um ofício. Mais que nunca é oportuno agora brandir essa declaração contra aqueles que pretendem sujeitar a atividade intelectual a fins exteriores a si mesma e, desprezando todas as determinações históricas que lhe são próprias, dirigir, em função de pretensas razões de Estado, os temas da arte. A livre escolha desses temas e a não-restrição absoluta no que se refere ao campo de sua exploração constituem para o artista um bem que ele tem o direito de reivindicar como inalienável. Em matéria de criação artística, importa essencialmente que a imaginação escape a qualquer coação, não se deixe sob nenhum pretexto impor qualquer figurino. Àqueles que nos pressionarem, hoje ou amanhã, para consentir que a arte seja submetida a uma disciplina que consideramos radicalmente incompatível com seus meios, opomos uma recusa inapelável e nossa vontade deliberada de nos apegarmos à fórmula: toda licença em arte.

Ao defender a liberdade de criação, não pretendemos absolutamente justificar o indiferentismo político e longe está de nosso pensamento querer ressuscitar uma arte dita “pura” que de ordinário serve aos objetivos mais do que impuros da reação. Não, nós temos um conceito muito elevado da função da arte para negar sua influência sobre o destino da sociedade. Consideramos que a tarefa suprema da arte em nossa época é participar consciente e ativamente da preparação da revolução. No entanto, o artista só pode servir à luta emancipadora quando está compenetrado subjetivamente de seu conteúdo social e individual, quando faz passar por seus nervos o sentido e o drama dessa luta e quando procura livremente dar uma encarnação artística a seu mundo interior.

O que queremos:
a independência da arte - para a revolução
a revolução - para a liberação definitiva da arte.

Cidade do México, 25 de julho de 1938

sexta-feira, 17 de abril de 2009

JOGO CÊNICO


...os dois se abraçam...
"Sabe o que eu quero fazer?
Quero me batizar nesse mar aí.
Extravagar-me pelo avesso da corrente até o país dos sonhos.
O lugar além de todos os lugares..."


Além de dar continuidade ao estudo sobre Brecht e à pesquisa sobre as Ditaduras, iniciamos também nosso processo de criação textual.

O ponto de partida para o este processo foi o show Transversal do Tempo, da cantora Elis Regina, sobre o qual já falamos aqui e que faz parte da nossa pesquisa [ver em 15/12/08: http://ciaengrenagem.blogspot.com/2008/12/transversal-do-tempo.html]. Lançado em 1978, a temática do espetáculo permanece atual. As músicas falam de desencontros, injustiças, (des)amores, degradação ambiental, política, entre outras coisas. Elis Regina definia o show como jornalístico. E o propósito foi alcançado.
A partir de algumas músicas do show, selecionamos alguns textos oriundos da literatura mundial e do cinema nacional, nos quais vislumbramos os personagens que dariam corpo e voz àquelas canções. Fizemos o sorteio dos personagens e realizamos uma primeira leitura, ainda fria, apenas para conhecermos o texto.

Os autores selecionados foram Mia Couto e Maria Adelaide Amaral , representando a literatura – Estórias abensonhadas, Cada homem é uma raça, Luísa (Quase um história de amor). O cinema foi representado por Walter Salles, Daniela Thomas e Lucia Murat, através de diálogos dos filmes O primeiro dia e Que bom te ver viva.

As músicas que fizeram link com os textos foram Fascinação, Romaria, Sinal fechado, Caxangá, Meio termo, Cão sem dono, Deus lhe pague, Maravilha e Nada será como antes.

Na semana seguinte, a Engrenagem se reencontrou. Já com os personagens estudados, fizemos uma nova leitura, mais intencional. Ideias surgiram. Divergências também, o que é natural. Trabalho em equipe é isso mesmo. Ainda mais entre pessoas que se amam e respeitam acima de tudo.

O processo é contínuo e está a todo vapor!


Músicas x Personagens


1 - Fascinação - Jordão Qualquer (Conto "No rio além da curva" - Mia Couto)
http://www.youtube.com/watch?v=cjNFHV2mxAg
2 - Romaria - João (Conto "A Princesa Russa" - Mia Couto)
http://www.youtube.com/watch?v=IpPmjX-VjJ8
3 - Caxangá e Sinal fechado - Pedro 1 e Pedro 2 ("Que bom te ver viva" - Lucia Murat)
http://www.youtube.com/watch?v=bx0LAt_RG5E
4 - Meio termo - Raul, Pedro 1 e Pedro 2 ("Luisa – Quase uma história de amor)" - Maria Adelaide Amaral)
http://www.youtube.com/watch?v=lDRy8I2p2jY
5 - Cão sem dono - Maria e Chico ("O Primeiro Dia" - Walter Salles e Daniela Thomas)
http://www.youtube.com/watch?v=EsJzOePtqcs
6 - Deus lhe pague - João e Chico ("O Primeiro Dia" - Walter Salles e Daniela Thomas)
http://www.youtube.com/watch?v=pODeQioMGRU
7 - Maravilha e Nada Será como antes - João e Maria ("O Primeiro Dia" - Walter Salles e Daniela Thomas)
http://www.youtube.com/watch?v=LsRqraVYKbY
http://www.youtube.com/watch?v=n3IP87jw0Ks