sexta-feira, 17 de abril de 2009

JOGO CÊNICO


...os dois se abraçam...
"Sabe o que eu quero fazer?
Quero me batizar nesse mar aí.
Extravagar-me pelo avesso da corrente até o país dos sonhos.
O lugar além de todos os lugares..."


Além de dar continuidade ao estudo sobre Brecht e à pesquisa sobre as Ditaduras, iniciamos também nosso processo de criação textual.

O ponto de partida para o este processo foi o show Transversal do Tempo, da cantora Elis Regina, sobre o qual já falamos aqui e que faz parte da nossa pesquisa [ver em 15/12/08: http://ciaengrenagem.blogspot.com/2008/12/transversal-do-tempo.html]. Lançado em 1978, a temática do espetáculo permanece atual. As músicas falam de desencontros, injustiças, (des)amores, degradação ambiental, política, entre outras coisas. Elis Regina definia o show como jornalístico. E o propósito foi alcançado.
A partir de algumas músicas do show, selecionamos alguns textos oriundos da literatura mundial e do cinema nacional, nos quais vislumbramos os personagens que dariam corpo e voz àquelas canções. Fizemos o sorteio dos personagens e realizamos uma primeira leitura, ainda fria, apenas para conhecermos o texto.

Os autores selecionados foram Mia Couto e Maria Adelaide Amaral , representando a literatura – Estórias abensonhadas, Cada homem é uma raça, Luísa (Quase um história de amor). O cinema foi representado por Walter Salles, Daniela Thomas e Lucia Murat, através de diálogos dos filmes O primeiro dia e Que bom te ver viva.

As músicas que fizeram link com os textos foram Fascinação, Romaria, Sinal fechado, Caxangá, Meio termo, Cão sem dono, Deus lhe pague, Maravilha e Nada será como antes.

Na semana seguinte, a Engrenagem se reencontrou. Já com os personagens estudados, fizemos uma nova leitura, mais intencional. Ideias surgiram. Divergências também, o que é natural. Trabalho em equipe é isso mesmo. Ainda mais entre pessoas que se amam e respeitam acima de tudo.

O processo é contínuo e está a todo vapor!


Músicas x Personagens


1 - Fascinação - Jordão Qualquer (Conto "No rio além da curva" - Mia Couto)
http://www.youtube.com/watch?v=cjNFHV2mxAg
2 - Romaria - João (Conto "A Princesa Russa" - Mia Couto)
http://www.youtube.com/watch?v=IpPmjX-VjJ8
3 - Caxangá e Sinal fechado - Pedro 1 e Pedro 2 ("Que bom te ver viva" - Lucia Murat)
http://www.youtube.com/watch?v=bx0LAt_RG5E
4 - Meio termo - Raul, Pedro 1 e Pedro 2 ("Luisa – Quase uma história de amor)" - Maria Adelaide Amaral)
http://www.youtube.com/watch?v=lDRy8I2p2jY
5 - Cão sem dono - Maria e Chico ("O Primeiro Dia" - Walter Salles e Daniela Thomas)
http://www.youtube.com/watch?v=EsJzOePtqcs
6 - Deus lhe pague - João e Chico ("O Primeiro Dia" - Walter Salles e Daniela Thomas)
http://www.youtube.com/watch?v=pODeQioMGRU
7 - Maravilha e Nada Será como antes - João e Maria ("O Primeiro Dia" - Walter Salles e Daniela Thomas)
http://www.youtube.com/watch?v=LsRqraVYKbY
http://www.youtube.com/watch?v=n3IP87jw0Ks

domingo, 29 de março de 2009

SARAU DO ENGRENAGEM

Nesse último final de semana, demos uma parada em nossos estudos e pesquisas sobre Bertold Brecht para fazermos nosso primeiro Sarau, um dia após a comemoração do Dia Mundial do Teatro.
Um sarau livre, onde cada um pôde mostrar um pouco do que faz, do que gosta, do que acredita.
Começamos com uma mini exposição de artes plasticas, com 10 réplicas expostas por todo o recinto de obras de Edigar Degas, Vincente Van Gogh, Henri Rousseau, Pablo Picasso, Gustav Klimt, Franz Marc, Juan Gris, Egon Schiele. As obras foram expostas cronologicamente e passamos por cada uma delas, analisando e conhecendo um pouco mais de cada artista e da obra em si. Depois, fizemos um pequeno exercício linkando às obras pequenos textos de autores como Chaplin, Tarkowski, Tenesse Williams, Gláuber Rocha, Goethe, Almodovar.
Em seguida, passamos por uma exposição de "fotos-flagrantes". Imagens do dia a dia feitas em diversos lugares. Imagens reais e nas quais continuamente esbarramos, mas muitas vezes sem percebê-las. A exposição pretendeu lançar um olhar incômodo sobre diversas situações e utilizou versos de Mayakovsky e Brecht para melhor ilustrá-las.
Foram diversos textos e poemas lidos, tanto dos própios membros da Engrenagem quanto de autores como Eduardo Galeano, Fernando Pessoa, Fernanda Young, Carlos Drummond de Andrade, Charles Chaplin, Zé da Luz.
Também não faltou música e violão, de Secos e Molhados, Renato Russo, Roberto e Erasmo a Xangai e Chico Buarque.
Finalizando, criamos na hora uma instalação plástica, utilizando recorte e colagem, chamada "A forma das coisas". Demos forma aos nossos nomes, bem como à palavras escolhidas naquela hora, que tivessem a ver com nossa proposta e com a Engrenagem em si (Poesia, Teatro, Revolução, Criação, Estrutura e Loucos).

Foi um experimento ótimo, inspirador e que, além de estar carregado de emoção em diversos momentos, também provocou reflexões, que é nosso combustível essencial.

Mas as imagens falam mais que as palavras, por isso fica o convite para a visita ao nosso álbum do Picasa, bem ali, do lado direito da página, onde elas poderão ser melhor visualizadas! É so clicar e entrar, a casa é sua!

sexta-feira, 27 de março de 2009

27 DE MARÇO: DIA MUNDIAL DO TEATRO

O Dia Mundial do Teatro, criado em 1961 pelo Instituto Internacional do Teatro, é celebrado todos o anos, a 27 de Março, pelos centros nacionais do Instituto Internacional do Teatro e pela comunidade teatral internacional. São organizadas numerosas manifestações teatrais nesta ocasião, sendo uma das mais importantes, a difusão de uma mensagem internacional, tradicionalmente redigida por uma personalidade do Teatro, de renome mundial, a convite do Instituto Internacional do Teatro.
O International Theatre Institute (ITI), uma organização não governamental, foi fundado em Praga no ano de 1948 pela UNESCO e pela comunidade internacional do teatro.

Mensagem Internacional por Augusto Boal


Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.
Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de idéias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!
Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática – tudo é teatro.
Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a platéia e a platéia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.
Em Setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa - nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.
Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: - "Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida".
Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.
Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento - é forma de vida!
Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!

sexta-feira, 13 de março de 2009

BERTOLD BRECHT

Elogio da Dialética
A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.
Os dominadores se estabelecem por dez mil anos.
Só a força os garante.
Tudo ficará como está.
Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores.
No mercado da exploração se diz em voz alta:
Agora acaba de começar:
E entre os oprimidos muitos dizem:
Não se realizará jamais o que queremos!
O que ainda vive não diga: jamais!
O seguro não é seguro.
Como está não ficará.
Quando os dominadores falarem falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: jamais?
De quem depende a continuação desse domínio?
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
E o "hoje" nascerá do "jamais".
[B.Brecht]


A Engrenagem segue na sua proposta de estudo e pesquisas e, no momento, estamos mergulhados no mundo brechtiniano.

Bertold Brecht, um dos nossos esenciais, é um dos escritores fundamentais por ter revolucionado teórica e praticamente a dramaturgia e o espetáculo teatral, alterando de forma irreversível a função e o sentido social do teatro, utilizando a arte, concebida como resultado de um processo de criação coletiva, como um arma de conscientização e politização.
O pensamento de Brecht nunca é dogmático. Qualquer juízo crítico sobre sua obra é sempre relativo. Ele reescreveu tudo até morrer, nunca considerando um trabalho como acabado, nada como definitivo.Seu pensamento foi sempre ágil, resultado de contradições e contraditório também, experimental, circunstancial e sempre profundamente dialético. Tem como fundamento de sua criação seu pensamento político.
Toda a obra de Brecht virá a ser a luta contra o capitalismo e contra o imperialismo. A reflexão sobre a situação do homem num mundo dividio em classes. Filho de um industrial, nascido para ocupar seu lugar na produção ao lado dos patrões, Brecth não fabricará papel mas, sim, palavras para preencher papéis. Palavras que serão armas contra sua própia classe, tendo optado pelo lado dos operários, tornando-se o mais expressivo poeta revolucionário deste século.
Para Eric Bentley, Brecht é a corporização do espírito de oposição, resistência e contradição, levado ao extremo da contrariedade, do pensamento combativo. Sua vida repousa na alegria da luta, no deleite da oposição. E isto o transforma no intelectual marxista da sociedade capitalista: existe dentro dela para dinamitá-la!
Muito ainda temos que mostrar e falar sobre Bertold Brecht e, principalmente, seu importante Teatro Épico. Aguardem as próximas postagens! Por agora, deixamos essa pequena introdução e, mais ainda, o instigante texto que segue abaixo, que nos faz pensar em nosso papel enquanto artista, nossa capacidade e postura criativa e artística perante as engrenagens do mundo das artes e até que ponto podemos [ou não] nos tornarmos mercadoria dentro do esquema capitalista da sociedade.

"Brecht desenvolve de forma mais ampla sua concepção de arte no mundo capitalista. Afirma que há muito tempo as grandes engrenagens do teatro, da ópera ou do jornalismo orientam e decidem tudo a respeito das criações artísticas. Os intelectuais e artistas são ingênuos que ainda mantêm a ilusão de que todo o comércio da engrenagem pretende a valorização de seus trabalhos, quando acontece o contrário: convencidos de possuir o que realmente os possui, defendem uma engrenagem que não controlam mais; um aparelho que não existe mais, como acreditam, a serviço dos criadores, mas que, pelo contrário, voltou-se contra eles e portanto contra sua própria criação (na medida em que isto apresenta tendências específicas e novas, não conformes ou mesmo opostas à engrenagem). O trabalho dos criadores não é mais que um trabalho de fornecedores e assite-se ao nascimento de uma noção de valor cujo fundamento é a capacidade da exploração comercial. Assim, reforma-se a obra de arte para adaptá-la à engrenagem, nunca o contrário. E, acentua Brecht, a engrenagem é determinada pela ordem social: portanto só é bom o que contribui para a manutenção da ordem estabelecida. Uma inovação que não ameace a função social da engrenagem da burguesia decadente (esta função é ser um divertimento vesperal) pode ser acolhida, pois a sociedade absorve, por meio da engrenagem, apenas o que necessita para sua perpetuação. Portanto, só é permitida uma "inovação" capaz de levar uma renovação. Nunca a uma transformação da sociedade - seja ela boa ou má. Mas Brecht não faz esta denúncia apenas para situar a localização do artista e do intelectual dentro do esquema social. Afirma mesmo que a liberdade de criação limitada é um fato progressista, o indivíduo encontra-se cada vez mais implicado nos acontecimentos que transformam o mundo, não pode apenas se exprimir, é solicitado a resolver problemas de ordem geral e é colocado em condições de fazê-lo. Mas o vício, afirma, reside no fato das engrenagens não pertenceram à comunidade: os meios de produção não são ainda a propriedade daqueles que produzem, de modo que o trabalho tem a característica de uma verdadeira mercadoria, submetida às leis do mercado."
[Fonte: PEIXOTO, Fernando: Brecht - vida e obra]


Ah! E não deixem de conferir no final da página a barra de vídeos selecionados sobre Brecht, seus poemas e obra!!!!!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

DE LUTA!

"É difícil reconhecer o rosto do inimigo, é difícil coligar os homens com interesses comuns; as lutas duram muito e os impulsos pouco." [Bertold Brecht]


A frase acima é do livro Introdução ao Teatro Dialético já citado na postagem anterior. Faz-nos refletir sobre a questão do ser revolucionário, da arte revolucionária, todos estes conceitos e seus contextos. Faz-nos pensar sobre compromisso x impulsividade. Compromisso com a luta e com a arte. Impulso de querer fazer parte dessa luta, mas não arregaçar as mangas e apenas "fazer parte" de algo, sem de fato "ser parte", de luta e de comprometimento com a causa. Lutar é imprescindível: a favor de uma arte de transformação, por um processo continuado de trabalho e pesquisa artística, da não mercantilização da arte que é imposta à cultura do país. Mas não podemos apenas nos deixar levar por meros impulsos e, com isso, deixarmos a luta de lado.

Finalmente na última reunião da Cia Engrenagem, colocamos em prática o que já havia sido proposto em reunião anterior e lemos alguns dos textos que farão parte do repertório da companhia. São textos dotados de humor, sem deixar a crítica social de lado. Os três primeiros textos escolhidos foram:

  • Quinze Minutos

  • Divino, Maravilhoso

  • Os Machões

Diante de uma proposta já feita à companhia por uma produtora de um lugar alternativo, discutimos também as possibilidades e a viabilidade deste projeto, bem como a forma como poderíamos apresentá-lo para este público, colocando em questão principalmente a forma de fazer da arte não mero entretenimento, mas um convite à reflexão e consequente transformação.

sábado, 14 de fevereiro de 2009



"... uma arte consequente não pode dispensar a reflexão sobre seus fundamentos teóricos." [Iná Camargo Costa, em Atuação Crítica]

Depois de diversas reuniões enclausurados em um micro apartamento, eis que nossa última reunião foi feita num lugar bem mais amplo! Não, ainda não é a sede definitiva da companhia, mas eis que surge um namoro para um possível lugar. Lá em tão-tão distante... porém, bem mais verdejante! (Confira as fotos no link do Picasa à direita).

Com a novidade do lugar e também devido à distância (e, claro, termos nos perdido no caminho), acabamos tendo um atraso no início da reunião. Com o tempo já reduzido, optamos por não lermos os textos propostos na última reunião, como exposto na última postagem.

Colocamos em pauta a questão da otimização do nosso tempo. Conciliar o horário de sete pessoas, envolvidas em atividades diversas, é sempre por demais complicado. Mas também é deveras complicado termos apenas uma reunião semanal, uma vez que temos já algumas frentes de trabalho e pesquisa e projetos a serem desenvolvidos.

Como resolver tais questões? Chegamos à conclusão que o ideal é nos dividirmos em pequenas frentes de produção, que poderão se encontrar em horários compatíveis entre si. Cada frente estará encarregada de algum trabalho pré determinado na reunião anterior, com a Engrenagem completa. Mantemos o encontro semanal de todos, onde cada grupo passará aos outros o que foi desenvolvido durante a semana.

O encontro no CCBB dias 04 e 05/02 com a Cia do Latão foi muito importante para a Engrenagem. Assistimos, na quarta-feira, o experimento videocênico Entre o céu e a Terra. Experimento este baseado no conto A Cartomante, de Machado de Assis. Nesse mesmo dia, houve o lançamento do material pedagógico do projeto Companhia do Latão 10 anos:
  • Companhia do Latão 7 peças
  • Introdução ao Teatro Dialético
  • Atuação Crítica
Os livros Introdução ao Teatro Dialético e Atuação Crítica foram distribuídos gratuitamente. Importante material para a Engrenagem!

O Atuação Crítica contém entrevistas da Vintém, revista que é uma produção de caráter crítico que acompanha o desenvolvimento da pesquisa cênica da companhia.

Já o Introdução ao Teatro Dialético contém experimentos da Companhia do Latão. Segundo Iná Camargo Costa, a investigação cênica e literária desenvolvida pela Companhia do Latão é determinada por uma reflexão dialética aliada a um trabalho baseado na produção coletiva da dramaturgia. Desde sua origem, em 1997, o grupo trata de aspectos essenciais da nossa sociabilidade e da nossa herança cultural, com destaque evidente para o teatro, abordando as formas de dominação e exploração do país e do trabalho.

Já na quinta-feira, dia 05/02, houve a demonstração de trabalho com projeção do vídeo Brecht na Companhia do Latão, seguido de debate com a companhia e seu diretor, Sérgio de Carvalho. Esse debate foi bastante informal, mas muito informativo e rico no tocante ao compartilhamento das experiências e desenvolvimento, tanto cênica quanto grupal, do Latão. Discussões sobre o trabalho, capitalismo, Marxismo, Brecht e sua influência na companhia e sua dialética, produção teatral, processos e pesquisas.

Fica a grande pergunta, feita por Sérgio de Carvalho: Como fazer um teatro crítico, sem ser didático nem enfadonho, como criticar a sociedade capitalista sem ser sentimentalóide?

Eles têm conseguido.

Confira: http://www.companhiadolatao.com.br/

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

2009, o ano de MOVER A ENGRENAGEM!!!

"Desconfiai do mais trivial , na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural nada deve parecer
impossível de mudar." B.Brecht, in Nada é impossível de Mudar

Finalmente, passadas as festas de final/início do ano e férias, nos reunimos na última sexta-feira para a primeira reunião de 2009.

Conversas diversas e diversificadas, a celebração do reencontro e a certeza do desejo conjunto de seguirmos adiante, da continuidade da nossa pesquisa sobre as ditaduras, da nossa investigação artística e possíveis ações e formas para mover nossa Engrenagem.

Já na primeira reunião, foram apresentados diversos pequenos textos para possíveis montagens, todos de uma das peças da Engrenagem, Rodrigo Abrahão. Textos esses que serão lidos na próxima reunião, 07/02, a fim de selecionarmos e direcionarmos nossos trabalhos. Também idéias sobre projetos de ocupação cultural e direcionamentos à pesquisa quem vem sendo realizada, culminando em uma montagem-cênica-performática, inserindo nesta todas as artes: poesia, dramaturgia, teatro, música, dança, artes plásticas...

Enfim, como disse o poeta Bertold Brecht, no poema acima, "Nada é impossível de mudar"!!!!!

Em tempo: atividade imperdível para todas as peças da Engrenagem e para todos: